Quando se perdia ou desaparecia algum objeto, dinheiro ou até mesmo pessoas, o povo mandava responsar o perdido. Geralmente, a mais que uma pessoa pois cria-se que para ser eficaz teria de ser mandado rezar pelo menos a três pessoas diferentes. E nenhuma devia saber da outra. Ao rezar, se a oração saísse certa à primeira vez, era sinal que o objeto responsado apareceria. Se, por outro lado, a responsadeira se enganava continuamente ou, de todo, não conseguia encarreirar com o responso, era sinal que o objeto estava definitivamente perdido.

O santo da predileção popular neste setor era Santo António, “advogado das coisas perdidas”.

Em Silgueiros foi recolhido da Sr.ª Maria das Trindades[1] o seguinte responso:

“Se eu procurar milagres

Pelo patrocínio de António dos Santos,

A morte, o erro, a calamidade e a lepra

E o demónio põem-se logo de fugida.

Alevantam-se os enfermos com saúde,

Aplacam-se os males angustiosos,

Fortalecem os membros paralíticos,

Apareça dentro do coração a força de Deus.

Se estiver perdida ou esquecida

Roubada ou abandonada

Porque se assim conseguem

Bem se explicam tanto os velhos

Como os mancebos.

Desapareça o demónio e desçam do reino do céu as suas deligências.

Digam todos os amadores de Pádua

E os mais que experimentam outro lugar da terra.

Glória é do Pai, é do Filho, é do Espírito Santo

Assim como era no princípio agora e sempre

É de secula seculorum, Ámen.

Ó bem aventurado António,

Nosso confessor para que sejamos dignos de

Alcançar as promessas de Jesus Cristo.”

A devoção ao Santo António era tal, nestas causas, que os próprios “Santinhos” que se ofereciam aos devotos nas festas e romarias traziam o seu “Responsório de Santo António”, como podemos observar na imagem seguinte.

Estampa mandada imprimir pelo Bispo de Niteroi, Brasil, a 19 de Junho de 1929 (Estampa: Acervo documental do Museu de Silgueiros)

 

Maria Odete Madeira

Passos de Silgueiros, 2011

[1] Recolha efetuada pelo Rancho Folclórico de Passos de Silgueiros, em 7 de Dezembro de 1980, a D.ª Maria das Trindades Ferreira, residente em Falorca de Silgueiros.

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