MUSEU DE SILGUEIROS

O nosso museu nasceu a brincar. Sem outra intenção que não fosse a de recolher material etnográfico para estudar adequadamente, com o fim de vestir de forma séria o grupo que, também a brincar, nascera nos princípios desse já distante ano de 1978, fomos guardando tudo quanto pudemos e se enquadrava nos nossos propósitos.

Uma peça hoje, outra amanhã, devagarinho…

Cedo se nos deparou a primeira grande dificuldade consequente do trabalho realizado: a de encontrar espaços para guardar o material recolhido. Só Deus sabe quanto foi preciso improvisar tanto em matéria de espaços com algumas condições, como em mobiliário que permitisse arrumar sem se deteriorar tudo quanto chegara até nós e que era obrigatório conservar para que pudesse durar, pelo menos, tanto tempo como já durara antes de chegar às nossas mãos.

E assim fomos vivendo desde 1978 até 1993, ano em que, finalmente, ficou pronta a nossa sede social onde ousámos destinar quatrocentos metros quadrados de área para instalar aquilo que na época era já uma razoável colecção etnográfica e que hoje, pelo seu acervo, pelas condições de exposição, de reserva e cuidados de conservação, constitui um verdadeiro museu, no sentido rigoroso do termo, o Museu de Silgueiros.

No que concerne ao espaço da reserva, instalámos mobiliário capaz de ajudar a uma melhor arrumação das coisas, mas sobretudo capaz de contribuir para uma mais adequada conservação dos muitos milhares de documentos ali arrecadados.

As colecções do museu são variadas, sendo talvez a mais rica a que respeita à indumentária e seus complementos. Das muitas dezenas dos lindíssimos lenços de algodão, de lã e de seda pura, aos xailes de merino, de Caxemira e de seda; dos corpetes com varas de aço, barbas de baleia e cordões, aos mais populares, de linho com atilhos ou botões; dos das camadas sociais económica e socialmente mais evoluídas, de seda com bordados finíssimos e aplicações várias, aos primeiros soutiens, de renda, feitos pela própria usuária, ou da costureira que viajava de casa em casa. E as camisas e toucas de dormir (de homem e de mulher). E as meias de épocas bem diferenciadas. E as sombrinhas do século XIX e do princípio do século XX; e os fatos de bebé e de criança; e os das noivas da primeira metade do século XX; e os lenços de assoar, de vénus e dos outros; e as luvas de renda, de algodão, de seda, de pelica das senhoras de teres. O que ali vai de coisas lindas e preciosas…

A peça de vestuário mais antiga do museu é um vestido de baptizado, de seda pura, de 1851 que vestiu o bebé que havia de vir a ser pároco de Silgueiros, o padre José Ribeiro de Figueiredo Couto e que guardamos com os maiores cuidados.

Mas outras colecções fazem também parte do museu, sempre relacionadas com a temática específica — a Etnografia.

Em rápida referência, registamos os instrumentos musicais da tradição popular portuguesa, os instrumentos relacionados com a barba e os cabelos, com o tabaco, com a correcção da visão, com a escrita, sem esquecer os brinquedos de menino. E ainda …

Bom, a lista já vai longa e continuá-la seria correr o risco de empanturrar o leitor. O melhor mesmo é meter pés a caminho e vir apreciar com os próprios olhos. E diga-nos depois se valeu ou não a pena.

Marque a sua visita e disponibilize algum tempo. Terá oportunidade de apreciar coisas importantes referentes à vida do Povo Português, algumas das quais, pensamos, constituindo autênticas surpresas.

Muitas escolas, de todos os graus, por ali têm passado, sem esquecer o público em geral; mas o que mais nos honra é a presença de estudiosos e investigadores em busca de material para os seus trabalhos e teses.

Do ponto de vista cultural, pensamos estar a prestar um bom serviço à comunidade, aqui, em Passos de Silgueiros, uma pequena aldeia com cerca de mil habitantes. E com apoios oficiais bem escassos.

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