“O estudo das tradições populares entre nós tem já acumulado um tesoiro riquíssimo de materiais; faltam apenas por enquanto os bons trabalhos de síntese e interpretação. Quem quiser, porventura, conhecer a história dessas investigações, consulte os Ensaios etnográficos de Leite de Vasconcelos, onde o sábio filólogo e etnólogo reuniu as notícias de muitíssimos desses trabalhos. Pelo que mais nos importa, o cancioneiro popular, diremos que é vastíssima a coleção de cantigas populares, hoje existentes, pois só os Cantos Populares Portugueses, de Tomaz Pires, contam mais de onze mil cantigas.

Teófilo Braga calcula em quarenta mil o número das que até hoje foram guardadas nas nossas coleções. A seleção das centenas de quadras que constituem este pequeno cancioneiro foi realizada em dezenas de milhares delas, ainda que escrupulizámos em consultar apenas as coleções, cujos coordenadores oferecessem garantias de seriedade, tais como: os Cantos Populares Portugueses, de Tomaz Pires, o Cancioneiro Popular e Cantos Populares do Arquipélago Açoriano, de Teófilo Braga, a Poesia Amorosa do Povo Português, de Leite de Vasconcelos, as Canções Populares da Beira e as Velhas Canções e Romances Populares Portugueses, de Pedro Fernandes Tomaz, o Romanceiro e Cancioneiro do Algarve de Francisco Xavier de Ataíde Oliveira e as vastas coleções dispersas pela Revista Lusitana, Revista de Guimarães, Revista do Minho, etc.“

 

Jaime Cortesão,

Cancioneiro Popular, estudo crítico,

Porto, 1914, pág. 11.

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