Nº de inventário: 8634
Diâmetro: 2,7 cm

 

Os botões, fabricados hoje com os mais diversos materiais, têm duas funções: a utilitária e a decorativa. Por isso, alguns são pequenas joias pelos pormenores do fabrico, pela beleza individual, pelo que representam no contexto global do vestuário.
No passado, quando começaram a ser usados, aí por volta do século XIII, a sua função utilitária era praticamente desprezada. Substituíam-nos, como desde há muitos séculos antes, os colchetes e os atilhos de diversificado material. A sua importância era mesmo a decorativa e aumentou quando reis e fidalgos, a partir do século XIV mandavam ornamentar os seus gibões, calções e casacas com botões de madrepérola, prata, ouro e incrustações de pedras preciosas.

Integrada no conjunto dos trajes do seu acervo, o Museu de Silgueiros possui uma vasta coleção de botões, sobretudo de traje civil, mas também de uniforme, constituída por muitas dezenas de milhares de exemplares com idades que vão dos finais do século XVIII aos nossos dias, feitos dos mais diversos materiais: linha, tecido, croché, latão, alumínio, combinados ou não com o ferro, osso, pedra, madrepérola, galalite e das mais diversas pastas sintéticas. Mas hoje queremos dar especial relevo aos chamados botões de unha, feitos das unhas ou cascos dos cavalos.

Foi o marquês de Pombal quem, no seu plano para minimizar as importações e desenvolver a indústria portuguesa, criou as primeiras fábricas de botões que, obrigatoriamente, os mais ricos, fidalgos e grandes senhores eram “obrigados” a utilizar nos seus fatos, então, também “obrigatoriamente” feitos a partir dos tecidos nacionais, o burel e seus derivados. A primeira manufatura destes botões foi concedida a José Fernandes Chaves, por alvará de 9 de outubro de 1776, no regime de privilégio exclusivo por tempo de dez anos, sob condições importantes: que fosse construída no lugar de Gulpilhares ou em quaisquer partes da província do Norte; a dar completamente ensinados nos primeiros cinco anos seis aprendizes e de conservá-los por oficiais na mesma fábrica durante o resto do tempo desta graça; que o preço dos botões para venda por junto ou a retalho não fossem superiores aos que constavam do documento de concessão. Além disso, isentava, nos primeiros cinco anos, os citados botões de todos e quaisquer direitos tanto nas entradas nas Alfandegas destes reinos como por saída. Paralelamente a estes belos botões do fim do século XVIII, o Museu guarda fotocópia do documento desta concessão, autenticado com o nome do marquês de Pombal.

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